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Key West de motorhome: a Overseas Highway, os campgrounds e o que ninguém avisa antes
São 42 pontes sobre água azul-turquesa. Em alguns trechos não se vê terra dos dois lados, só a pista e o mar — parece que você errou o caminho e entrou no oceano. Dormir em Bahia Honda, com o RV a poucos metros da água, é o tipo de noite que a família descreve por anos.
Por que esse lugar funciona de motorhome
Quase todo brasileiro faz Key West como bate-volta saindo de Miami: sete a oito horas de carro num dia só, para tirar foto no marco do ponto mais ao sul e voltar exausto. A estrada, que é a melhor parte, vira obstáculo.
De motorhome a lógica inverte. Você dorme no meio do caminho, nada onde a água é mais bonita e chega a Key West sem pressa. A viagem passa a ser a estrada, não o destino.
É também o trecho com a melhor relação entre distância e paisagem de toda a Flórida: pouca quilometragem, muita coisa acontecendo do lado de fora da janela.
A Overseas Highway trecho a trecho
Key Largo: entrada das Keys e a parada de mergulho. John Pennekamp é o primeiro parque submarino dos Estados Unidos, com barco de fundo de vidro para quem não vai entrar na água.
Islamorada: vila de pesca, restaurantes de frente para o pôr do sol e o encontro com tarpões no Robbie's, que é parada garantida com criança.
Marathon: meio do caminho, com a Turtle Hospital, e a Seven Mile Bridge logo depois — o trecho mais fotografado da estrada.
Bahia Honda: a praia mais bonita das Keys e o melhor camping do trajeto.
Big Pine Key: os key deer, veados em miniatura que só existem ali. Reduza a velocidade — atropelamento é a principal causa de morte da espécie.
Key West: fim da linha, com o marco dos 90 milhas até Cuba, Mallory Square e o centro histórico a pé.
Onde o RV dorme
Bahia Honda State Park é o destino: vagas praticamente na areia, água transparente e vista da ponte velha. É o camping mais concorrido do estado, e conseguir vaga é o gargalo real do roteiro.
Há campgrounds privados ao longo da estrada, em geral mais caros que a média da Flórida e com estrutura variada. Nas Keys, a terra é escassa e isso aparece no preço.
Em alta temporada de inverno, as vagas esgotam com meses de antecedência. Não existe plano B improvisado nas Keys: se não há vaga, a alternativa é voltar para o continente.
Restrições de tamanho — o detalhe que salva a viagem
Parte dos campgrounds das Keys tem limite de comprimento de veículo, e alguns são bem restritivos. Motorhome grande reduz muito as opções de vaga justamente onde já há pouca oferta.
Para esse roteiro, perfil compacto ou familiar abre mais portas que o premium. Confirme o limite do camping antes de escolher o RV, não depois.
Manobra e estacionamento em Key West são difíceis para veículo grande. O padrão é deixar o RV no camping e ir de bicicleta, ônibus ou carro pequeno até o centro.
O dia a dia
Dia 1: sair cedo do continente, parar em Key Largo e dormir em Islamorada ou Marathon. Trecho curto de propósito, para não gastar o primeiro dia na estrada.
Dia 2: Bahia Honda o dia inteiro — praia, snorkel na margem e a ponte velha ao entardecer.
Dia 3: Key West sem RV no centro. Centro histórico a pé, pôr do sol em Mallory Square e volta para o camping.
Dia 4: retorno com calma, com uma parada que tenha ficado de fora na ida.
Com crianças
A água das Keys é rasa e calma em boa parte das praias, o que funciona bem com criança pequena. A areia é mais grossa que a do Golfo e há trechos de pedra e coral: sapatilha de água resolve.
Turtle Hospital, em Marathon, é visita guiada com tartarugas em recuperação — funciona com qualquer idade e explica o problema do lixo no mar melhor que qualquer sermão.
Alimentar tarpão no píer do Robbie's é o programa que mais rende foto e mais assusta na primeira mordida na água.
Dry Tortugas, de barco a partir de Key West, é o passeio de dia inteiro mais impressionante da região — e o menos indicado para criança que enjoa, porque a travessia é longa.
Melhor época
De dezembro a abril: clima seco, mar calmo e a melhor visibilidade para snorkel. É alta temporada, com preço alto e campings esgotados com muita antecedência.
De junho a novembro é temporada de furacões, e as Keys são o ponto mais exposto do estado. Viajar nesse período é mais barato, mas exige folga no itinerário e acompanhamento diário da previsão.
Maio e começo de junho costumam ser o melhor equilíbrio entre preço, clima e disponibilidade.
Quanto custa
Blocos: diária de camping, que nas Keys é a mais cara da Flórida; taxa de entrada dos parques estaduais; combustível, que é pouco por causa da distância curta; e alimentação, que sai bem mais barata cozinhando a bordo — restaurante nas Keys tem preço de destino turístico fechado.
Passeios pagos (mergulho, Dry Tortugas, barco) são o item que mais varia. Um dia de Dry Tortugas para uma família custa mais que uma noite de camping.
O que quase ninguém conta
A quilometragem engana. São cerca de 170 km (105 milhas) de Key Largo a Key West, mas a estrada é de pista simples em boa parte, com limite baixo, tráfego local e pontes. Conte o dobro do tempo que o mapa promete.
Em fim de semana e feriado americano, a volta para o continente no domingo à tarde é lenta — saia de manhã.
Mosquito e mutuca aparecem no fim da tarde em Bahia Honda, principalmente no verão.
Protetor solar que agride o coral é desencorajado na região; camiseta de proteção resolve melhor.
Furacão não é hipótese remota entre agosto e outubro: o parque fecha e a rodovia pode ser evacuada. Seguro de viagem e itinerário com folga deixam de ser luxo.
Como encaixar numa viagem a Orlando
De Orlando a Key Largo são cerca de 500 km (310 milhas), pelo menos cinco horas — e de Key Largo a Key West outras duas a três. Fazer isso num dia só arruína a viagem.
O formato que funciona é de cinco dias, quase sempre combinando Everglades e Keys, já que as entradas das duas regiões ficam a pouco mais de uma hora uma da outra.
Para quem tem apenas três ou quatro dias saindo de Orlando, a costa do Golfo entrega uma experiência de praia comparável com metade do deslocamento.
Quando não compensa
Roteiro de menos de três dias: a estrada come o tempo todo.
RV grande sem vaga confirmada — as restrições de tamanho são reais.
Alta temporada sem reserva de camping feita com meses de antecedência.
Perguntas frequentes
- Dá para ir de motorhome até Key West?
- Dá. A Overseas Highway liga o continente a Key West e é percorrida normalmente por motorhome. O ponto de atenção não é a estrada, é a vaga: campgrounds nas Keys são poucos e esgotam com meses de antecedência na alta temporada.
- Quanto tempo leva de Miami a Key West?
- Cerca de três horas e meia a quatro horas sem parada, mas o tempo real costuma ser maior: pista simples em boa parte do trajeto, limite de velocidade baixo, tráfego local e pontes. De motorhome, conte mais folga ainda.
- Qual o melhor camping das Keys?
- Bahia Honda State Park, pela praia e pela vista da ponte velha. É também o mais difícil de conseguir: a procura é alta o ano inteiro e a oferta de vagas, pequena.
- Motorhome grande passa nas Keys?
- Passa na estrada, mas parte dos campgrounds tem limite de comprimento, e em Key West manobrar e estacionar veículo grande é difícil. Para esse roteiro, perfil compacto ou familiar abre bem mais opções de vaga.
- Dá para fazer Key West em um dia saindo de Orlando?
- Não de forma que valha a pena. São cerca de 500 km (310 milhas) só até Key Largo, mais duas a três horas até Key West. O roteiro pede de quatro a cinco dias, normalmente combinado com os Everglades.
- E se houver furacão durante a viagem?
- Entre junho e novembro é uma possibilidade real, e as Keys são a região mais exposta do estado: parques fecham e a rodovia pode ser evacuada por decisão das autoridades. Nesse período, itinerário com folga e seguro de viagem são parte do planejamento, não opcional.
Guias
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— Água transparente saindo do chão, temperatura constante em torno de 22 °C (72 °F) o ano inteiro, floresta em volta e quase nenhum turista brasileiro. Silver Springs tem barco de fundo de vidro desde o século XIX e macacos que descem até a margem. Está a pouco mais de uma hora dos parques.
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